segunda-feira, 24 de março de 2008

A melhor parte do dia




Uma repórter, em entrevista com Thelonious Monk, um dos mais importantes músicos do Jazz, indaga:
-Como é dar uma nota errada?
Ele sabiamente responde:

-Não existe nota errada. Depende da que vem depois.





P.S: Dedicado ao Hugo, que tem me ajudado a suspender Anteu.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anteu

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dia santo


Hoje as cinco da manhã estava um trânsito absurdo na Marginal. Pensei: O que é que está acontecendo? Todos os feriados são assim, essa loucura, o caos. Creio que poucos sabem pra onde e pra que estão indo. Mas esse post foi motivado pelo seguinte: As pessoas chegam a refletir alguma coisa sobre o espírito e essência desses feriados? Ou o importante é sair da cidade, cumprir o protocolo, seguir o rebanho que eu ganho mais?

Eu mesma parei hoje cedo pra meditar sobre a Sexta Feira Santa. Um artigo do Carlos Heitor Cony na Folha me deu esse start. Tenho uma ligação espiritual com Cristo, admiro sua história, me toca. Mas nem me lembrava os meandros do episódio que se chama Sexta-feira Santa, seus simbolismos e seus significados.
Quando silenciei, percebi a semelhança do Calvário com tudo o que passamos antes do Renascimento. Sem o sensacionalismo e todo drama católico mas na essência do que deve ter sido pra Cristo. Andar passo a passo carregando o objeto de sua morte, diante de uma platéia estática, hipócrita, irada, indiferente. Aceitar essa condição deve ter sido sobrehumano. Imagino a força interna que esse homem tinha para poder vislumbrar lá na frente a Ressurreição, quanta luz pra poder, de fato, transcender.

A história de Jesus é a história de todos nós dia a dia. Carregando tudo que vai nos levar a morte, pela simples condição de sermos mortais. E a busca pelo renascimento a cada via sacra, buscando o vislumbre de que há de haver uma transcendência, uma ressurreição pra toda essa condição em que nos encontramos. Mas enquanto o importante for um feriado, isso fará tanto sentido quanto uma cruz de ouro pendurada no pescoço.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Delírios


"I think the world is gone insane, if you feel the same, we can just fly away!"

Paradoxo: o que tem me sustentado são sonhos e delírios.
Os sonhos ficam no ar, os delírios eu tenho realizado. Tenho escrito pouco talvez porque tenha vivido mais. As informações pulsam num nível sensorial e espiritual tão forte que as palavras não alcançam o que eu sinto. E as contradições e paradoxos são tão intensas que assim, soltas não fariam sentido pra nada e ninguém. Muito provavelmente ninguém vai entender do que eu falo e isso não é comunicar é escrever pra mim mesma. Mas acreditem, eu quero compartilhar com vocês o tanto de coisa que tenho experimentado mas não acredito que nesses dias seja possível.
Tive um bode temporário de tudo que é virtual. E ainda estou nessa ressaca... (olha o paradoxo, digo isso enqto escrevo num blog!) Eu falo do meu momento, nesse mundinho de 2x2 , mas hoje eu quero mais tudo que só ao vivo e em cores a gente tem. E aí as palavras ficam muito distantes, pequenas, limitadas.
Tenho descoberto o quanto ainda estou autocentrada e que escever demais por hora, reforça isso. Agora, na vida, no foco, na luta, um acontecimento atrás do outro vai puxando os tapetes. Mesmo assim tenho dançado horrores, as vezes acho que meu corpo nem me pertence mais! Sigo vivendo essas experiências, na pele, na alma, no coração. Tempos estranhos e belos. Perdas, muitas. Muitos resgates, novidades e surpresas também. Descoberta do quanto eu estava equivocada a meu respeito e a muitos acontecimentos da minha vida. O quanto tenho sido dura comigo e com tantas outras pessoas.
Hoje, andando descalça na grama do parque, num horário em que o vento é fresco e o barulho é menor, tive a nítida sensação de que estou morrendo. Chorei um pouco. As bicicletas passavam e parecia que com elas iam relances de um passado que eu achava que era eu. Por um segundo me senti invisível. E dentro de mim, dia a dia dói um pouquinho a sensação de nascer. Como é nascer sem tudo que eu acreditava firmemente? Como é nascer sozinha? Como é ficar sem um olhar ou uma mão pra me apoiar? Como é nascer, simplesmente? Dá medo, tanto medo que o peito enche, explode, respiro e posso afirmar no dia de hoje que com tão pouco que me resta eu nunca fui tão absurdamente livre. Sem filosofia nem explicação. Me sinto livre, capaz de mudar de direção a qualquer instante, capaz de aguentar frustrações, capaz de me prostrar e me erguer. Mas não se enganem porque essa liberdade também dói.

Delirem em consciência, sonhem esse sonho. Mas pessoas, por favor vivam de uma forma mais autêntica, vivam! Porque no final das contas é melhor morrer antes de morrer.

E que descanse em paz...



P.S: Dedico esse post ao Preto. Um gatinho muito tranquilo, de olhos verdes lindos, que morreu domingo na caminha dele como se estivesse dormindo.

P.S2: A casa está vazia e as janelas estão abertas.

sábado, 1 de março de 2008

Despertar

"Quando não tiver mais nada
Nem chão nem escada
Escudo ou espada

O seu coração acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo

Sua consciência, adormecerá
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar
No mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Quando
Não se tem mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for
Livre do temor

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá
Para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar pulmão, da lágrima sal
Amor dará e receberá
Da luz visão, do tempo espiral
Amor dará e receberá
Do braço mão, da boca vogal
Amor dará e receberá
Da morte, o seu dia natal

ADEUS DOR
adeus dor
ADEUS DOR
adeus dor

Hare Krishna, Hare krishna
Krishna KrishnaHare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare"

Mantra, Nando Reis

A preparação da guerreira. Iniciação. Reverencio o mestre, ele sabe o que está fazendo. Eu é que continuo sem saber de nada.


P.S: Dedico ao Valder, um hare krishna que conheci com 16 anos de idade e cujo olhar nunca mais esqueci.
Dedico ao Mathew, pela palestra e por mais um olhar e sorriso que provavelmente me marcarão também. Olhar sereno de quem tá em paz e sorriso aberto de quem tem muita luz.